Por que precisamos falar do Dia da Madrasta?

A origem do Dia da Madrasta

Pouca gente sabe, mas o Dia da Madrasta existe e já tem quase duas décadas de história. Em 2005, a Associação das Madrastas e Enteados (AME), fundada por Roberta Palermo, autora de livros sobre o tema, instituiu a data, celebrada sempre no primeiro domingo de setembro.

O objetivo era claro: dar visibilidade a mulheres que sempre estiveram presentes nas famílias, mas raramente foram reconhecidas pelo papel que ocupam.

Afinal, se pais, mães e avós têm dias de celebração, por que as madrastas continuariam invisíveis?

O peso cultural da madrasta na história

A imagem da madrasta não nasceu neutra. Durante séculos, os contos de fadas a retrataram como vilã. Basta lembrar da Cinderela, Branca de Neve ou João e Maria.

Nessas histórias, a madrasta aparece como a mulher má, invejosa e cruel, que disputa espaço com a criança ou deseja eliminá-la.

Esse imaginário coletivo se enraizou de tal forma que até hoje muitas madrastas relatam sentir o estigma de “más por definição”. A cultura popular reforçou a ideia de que o vínculo entre madrasta e enteado só poderia ser de rivalidade.

Por outro lado, pesquisas atuais mostram uma realidade muito mais diversa. Madrastas podem ser figuras de afeto, apoio e estabilidade para os enteados, desde que haja clareza de papéis e respeito às diferenças.

A jornada, no entanto, é desafiadora, e exige informações que raramente são oferecidas às famílias.

Famílias reconstituídas: dados e pesquisas

De acordo com o IBGE (2015), 16,3% das famílias brasileiras são famílias reconstituídas, ou seja, formadas após o recasamento em que pelo menos um dos parceiros já tinha filhos de uma união anterior.

Isso significa milhões de madrastas (e padrastos) vivendo essa experiência no Brasil.

Pesquisas internacionais também chamam atenção. A psicóloga americana Patricia Papernow, referência mundial no tema, descreve sete estágios pelos quais famílias recasadas costumam passar, desde a fase inicial de expectativa até a integração plena.

Ela mostra que, em média, uma família reconstituída leva de 4 a 7 anos para atingir estabilidade.

Além disso, estudos brasileiros (Universidade de São Paulo, 2014) indicam que madrastas relatam níveis mais altos de ansiedade e sentimentos de fracasso quando comparadas às mães biológicas.

A falta de reconhecimento social aparece como um dos fatores mais pesados no sofrimento emocional.

Por que madrastas ainda são invisibilizadas

Apesar de todos esses dados, madrastas continuam enfrentando invisibilidade. Muitas relatam situações como:

  • serem excluídas de decisões familiares importantes;
  • sentirem que sua dedicação não é reconhecida;
  • ouvirem frases como “ela não é mãe de verdade”;
  • terem sua presença associada a rivalidade ou ameaça.

Essa invisibilidade tem efeitos práticos. Pode desgastar o casamento, gerar solidão emocional e até contribuir para crises de ansiedade ou depressão.

“Eu estava na rotina todos os dias, levava e buscava na escola, ajudava nas tarefas. Ainda assim, parecia que eu não existia. Era como se fosse invisível.”Depoimento de madrasta, 38 anos

Mesmo fazendo parte do cotidiano de milhões de famílias brasileiras, madrastas carregam um estigma que vem de muito longe.

Nos contos de fadas, foram retratadas como vilãs. Na vida real, muitas vezes são tratadas como “figura acessória”, ou seja, alguém que não tem lugar definido e precisa se justificar o tempo todo.

Essa invisibilidade tem consequências: sentimentos de solidão, dúvidas sobre seu papel e, em muitos casos, desgaste nos relacionamentos.

É justamente contra esse silêncio que o Dia da Madrasta se levanta.

A importância de celebrar

É por isso que celebrar o Dia da Madrasta importa. Reconhecer essa data significa:

  • Identidade → madrastas existem, têm nome e papel legítimo.
  • Pertencimento → elas fazem parte da família, mesmo que em um lugar diferente da mãe.
  • Reconhecimento → a dedicação e o afeto que oferecem merecem ser valorizados.

Quando celebramos, afirmamos que madrastas importam. Além disso, abrimos espaço para histórias de amor, coragem e reconstrução. Assim, substituímos rótulos negativos por narrativas de dignidade.

“Quando minha enteada disse que me via como alguém em quem podia confiar, chorei de emoção. Não preciso ser mãe dela, mas sou alguém importante na vida dela.”Depoimento de madrasta, 42 anos

Setembro com gosto especial: lançamento do livro

Este ano, o mês de setembro tem um significado ainda mais profundo. Além de celebrarmos o Dia da Madrasta no primeiro domingo do mês, no dia 04/09, em Brasília, acontece o lançamento do meu livro Novas Madrastas Além dos Rótulos.

Esse projeto nasceu da necessidade de romper estereótipos e trazer à luz o que realmente significa ser madrasta no Brasil. Durante séculos, a cultura popular nos associou à vilania dos contos de fadas, enquanto a realidade cotidiana ficou silenciada. Este livro faz o caminho oposto: dá voz às experiências reais de mulheres que vivem esse papel.

A obra reúne 14 histórias de madrastas, narradas em primeira pessoa, cheias de nuances, dilemas e descobertas. Depois de cada relato, eu entro como psicóloga especialista em famílias reconstituídas para comentar, contextualizar e oferecer reflexões clínicas baseadas em evidências.

Assim, cada capítulo mistura emoção e análise: a dor contada por quem a vive e a possibilidade de ressignificação trazida pela psicologia.

O livro não é apenas uma coletânea de relatos. Ele é também um manifesto contra os rótulos e um convite a enxergar a madrasta como mulher de carne e osso, ou seja, que ama, erra, acerta, se esforça e constrói.

Ele nasceu para dar apoio, empoderamento e esperança a quem vive a madrastidade, mas também para sensibilizar toda a sociedade sobre o lugar real dessas mulheres.

E tem mais: os 100 primeiros exemplares adquiridos na pré-venda serão autografados.

Portanto, esse setembro não é apenas um mês de celebração. Ele também marca um novo passo para mudar a narrativa em torno das madrastas: de vilãs a protagonistas das suas próprias histórias.

Perguntas frequentes sobre o Dia da Madrasta

1. O Dia da Madrasta substitui o Dia das Mães?
Não. Cada data tem seu sentido. O Dia da Madrasta existe para reconhecer especificamente esse papel dentro das famílias reconstituídas.

2. Madrastas precisam ser “como mães”?
Não. O lugar da mãe é único assim como o da madrasta também é. Mesmo que uma madrasta cuide, eduque e até exerça funções de maternar, ela nunca será mãe. Ela será sempre uma madrasta que materna, ou seja, uma madrasta presente, afetiva e comprometida.
Portanto, não se trata de ocupar o lugar de outra pessoa, mas de reconhecer que cada papel é singular. Ser madrasta não é ser “menos” ou “metade”. É ser quem você é, dentro de um espaço que também é legítimo e insubstituível.

3. A relação entre madrasta e enteado(a) é sempre difícil?
Não. Os primeiros anos podem trazer desafios enquanto os papéis se ajustam, mas há muitas relações profundas e afetuosas. No livro Novas Madrastas Além dos Rótulos, os 14 relatos mostram essa diversidade. Um exemplo marcante é o de Inaiara, que construiu um vínculo tão sólido com a enteada que oficializou a maternidade socioafetiva — um caminho de amor escolhido que convive com a filiação biológica.

“Fui madrasta por 16 anos e, há um ano, me tornei mãe socioafetiva.” – Inaiara

4. Como os pais podem ajudar?
Pais podem apoiar validando a madrasta, incluindo-a nas decisões e estabelecendo limites claros com os filhos e com a ex-parceira. O suporte deles é decisivo para que a relação seja saudável.

Conclusão

O Dia da Madrasta nasceu como um gesto de visibilidade. Ele existe para que essas mulheres deixem de ser invisíveis e possam ocupar o lugar que constroem todos os dias, com coragem e dedicação.

Neste ano, a celebração se conecta ao lançamento de Novas Madrastas Além dos Rótulos. Um livro que traz histórias reais, comentários clínicos e, sobretudo, um convite para enxergar madrastas com dignidade, além dos rótulos que a cultura ainda insiste em sustentar.

Participe desse movimento!

Venha celebrar comigo no lançamento em 04/09, em Brasília.
Se não puder estar presente, já garanta seu exemplar na pré-venda online.

Lembre-se: os 100 primeiros livros serão autografados!

CONTATO

(61) 99403-0060

novasmadrastas@gmail.com

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