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OS MEUS, OS SEUS E OS NOSSOS

OS MEUS, OS SEUS E OS NOSSOS

A família reconstituída – constituída de perdas –  ou família mosaico – feita de vários fragmentos – é a estrutura familiar originada do casamento ou da união estável de um casal, no qual um ou ambos de seus membros tem pelo menos um filho de um vínculo anterior. É uma família na qual, ao menos um dos adultos, é uma madrasta ou um padrasto.

As estatísticas são surpreendentes: a maioria das famílias mudou de mãe, pai e filho originais ligados biologicamente, para uma nação em que a maioria das famílias é reconstituída. A maioria dos divorciados continua se casando e formando novos relacionamentos.

Para os que vivem numa família tradicional, as relações de parentesco se definem pela consanguinidade. Já para a família reconstituída, não se fala em árvore genealógica, pois ser parente não significa ter consanguinidade. Basta o respeito, a proximidade e, principalmente, o afeto.

Outro fator importante: nas famílias nucleares (pai, mãe e filhos) todas as regras estão disciplinadas em lei. As funções são predeterminadas, todos sabem o lugar da mãe, do pai,  dos filhos e dos demais parentes, como avós, tios e primos. Na família reconstituída, as regras e funções são estabelecidas com o passar do tempo, e podem assumir dinâmicas completamente diferentes. Será com a convivência que o papel de cada um se estabelecerá. 

Assim, o afeto – e não a consanguinidade – é o responsável pela criação dos laços entre os membros dessa nova família.

Se já é difícil consolidar uma família a dois, imagine duas famílias em uma só? Será preciso, como base, o afeto, o amor e a verdade entre os membros.

Pela falta de normatização de todos os laços criados no contexto das famílias reconstituídas, muitos desafios podem surgir. E você precisa estar muito bem preparada para superar cada um deles!

As famílias reconstituídas não são tratadas, avaliadas ou cuidadas de forma especializada. E os números contam a história e falam por si só:

  • 1300 novas famílias reconstituídas estão se formando todos os dias;
  • Mais de 50% das famílias americanas são recasadas;
  • O casamento dura, em média, apenas sete anos;
  • Um em cada dois casamentos termina em divórcio;
  • 75% se casam novamente;
  • 66% das pessoas que vivem juntas ou recasadas se separam quando crianças estão envolvidas;
  • Atualmente, 50% dos 60 milhões de crianças com menos de 13 anos vivem com um dos pais biológicos e o atual parceiro dos pais.
  • Haverá mais famílias reconstituídas do que famílias originais até o ano 2000.

 

(Fonte: O Bureau of Census dos EUA)

Mavis Heatherington, professora de Psicologia na Universidade da Virgínia – USA, fez um estudo com 1400 famílias que divorciaram e recasaram, e percebeu que as crianças até apreciam ter um padrasto, principalmente se ele aumenta o orçamento da casa, faz companhia para a mãe e prova que é um amigo para as crianças.

Já a situação com as madrastas é mais difícil e o ressentimento da criança é bem mais intenso.

Heatherington afirma que mesmo que a mulher deseje se envolver o mínimo possível,  raramente ela tem essa oportunidade.

Afinal, o que os parceiros esperam é que ela seja, de alguma forma, uma educadora, contribuindo com qualquer dificuldade que a criança tenha, e que seja capaz de colocar ordem na rotina da casa –  situação essa que é percebida com raiva e ressentimento pelas crianças. 

Dessa forma, acontece uma verdadeira “demonização” da madrasta em situações em que seu parceiro não apoia seu esforço para organizar a rotina da casa e disciplinar as crianças e, principalmente, quando a ex-mulher dele a vê como rival e interfere demais na rotina das crianças na casa do pai.

A madrasta é uma figura fácil de odiar. Ela é perversa na nossa cultura, inclusive no nosso inconsciente coletivo.

Não é de se admirar, portanto, que diversos estudos afirmam que o papel da madrasta é o mais problemático da família, e que ela vai sim experimentar dificuldades significativas de adaptação e ajuste.

A maior parte da literatura neste assunto é para falar sobre como a criança se sente, sobre suas necessidades e desejos, e como a madrasta pode ajudar na aceitação do novo casamento do pai.

Mas e você, a madrasta? Quem vai falar sobre seus sentimentos e acolher a sua dor?

Portanto, este espaço foi desenvolvido com muito carinho especialmente para você!

Foi pensando em suas emoções incompreendidas e suas necessidades de suporte e acolhimento que eu decidi me engajar nessa jornada, que também é minha.

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